Todos os envolvidos no triplo homicídio foram presos. Motivo teria sido vingança.
A Delegacia Regional de Polícia Civil de Uberlândia apresentou nessa quinta-feira (21), cinco acusados de terem planejado e executado três trabalhadores sem-terra, no dia 24 de março, às margens da MG-455, entre o distrito de Miraporanga e Uberlândia. As vítimas foram mortas com tiros na cabeça. Entre os mortos estava uma das coordenadoras do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST).
DRPC Uberlândia

Os suspeitos
Valdir Dias Ferreira, 39 anos, Milton Santos Nunes da Silva, 52, e Clestina Leonor Sales Nunes, 47, que residiam no acampamento 21 de Agosto na Fazenda São José dos Cravos, em Prata, viajavam num automóvel com destino a Uberlândia, quando foram abordados por dois homens, num outro veículo. Um deles desceu e disparou os tiros à queima-roupa.
Uma criança de cinco anos, neta de Clestina, estava no carro e foi poupada. Clestina era a coordenadora do acampamento e, segundo as investigações da Polícia Civil, era o alvo dos criminosos. Seu marido Milton e o colega Valdir foram mortos para que os autores não fossem reconhecidos. Clestina havia conhecido os autores um dia antes.
Estão presos: José Alves de Sousa, 52 anos, o Zé Roleta, apontado como mandante; Roberto Xavier Dantas, 44, também mandante; Rodrigo Cardoso Fric, 25, apontado como o executor; Willian Gonçalves da Silva, 20, apontado como olheiro do grupo; Rafael Henrique Cardoso, 24, o motorista do veículo, e Rogério Carvalho Lucas, 29, que escondeu o carro após o fato.
Segundo as investigações feitas pelos policiais civis de Uberlândia, os três foram mortos por vingança. Em 2009, um dos mandantes do crime foi preso em flagrante pela Polícia Civil com 331 tabletes de maconha, próximo ao acampamento de sem-terra. Como Clestina coordenava o local, ele desconfiou que ela o teria denunciado à polícia e planejou a vingança.
A coletiva de imprensa foi concedida pelo delegado Samuel Barreto de Souza, chefe do 9º Departamento de Polícia Civil (DPC), pela delegada regional de Uberlândia, Márcia Regina Pussoli, pelo delegado de Homicídios, Helder Paulo Carneiro, e pelo delegado do 8º Distrito Policial, André Vinícius Corazza. O delegado Eduardo Fernandes Peres Leal, também participou das investigações, mas não esteve na entrevista coletiva.

A coletiva de imprensa foi concedida pelo delegado Samuel Barreto
As diligências duraram cerca de 90 dias e, ao todo, trabalharam cinco delegados e vinte policiais civis. A operação para a prisão dos acusados foi denominada Astréia, deusa grega da pureza e da inocência, para muitos considerada deusa da Justiça, que pediu ao seu pai Zeus que a levasse embora da terra, pois preferia morrer a conviver com as injustiças e as perversidades.
Em nome da Polícia Civil, o delegado chefe do 9º DPC, Samuel Barreto de Souza, agradeceu a participação e o empenho de todos os policiais civis que trabalharam no caso e mencionou a colaboração do Poder Judiciário e do Ministério Público de Uberlândia e, por fim, o apoio recebido da polícia gaúcha na prisão de Rodrigo Fric. O Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) participou do início das investigações.
As prisões
A Polícia Civil chegou aos autores através de investigações iniciadas no dia do crime. No dia 31 de maio, os policiais localizaram Rafael Henrique Cardoso, que conduziu o carro. Ele foi preso em Centralina e confessou a participação no triplo homicídio.
No mesmo dia, a equipe localizou em Uberlândia um dos mandantes do crime. José Alves de Souza, o Zé Roleta, era investigado porque seria um dos homens que suspeitava ter sido denunciado por Clestina. Zé Roleta e um comparsa foram presos com a droga, próximo ao acampamento dos sem-terra, que Clestina coordenava.
Na continuidade das diligências, o terceiro preso foi Willian Gonçalves da Silva, o Courinho, em 4 de junho. O rapaz, conforme as investigações, era o olheiro do grupo. Um dia antes da execução, ele, o matador e o motorista do carro chegaram ao acampamento, se apresentaram como sem-terra e dormiram no local. Courinho ficou responsável por levantar a rotina da Clestina.
No dia 9 de junho, a Polícia Civil prendeu o segundo mandante, Roberto Xavier Dantas. Segundo as investigações, o criminoso, conhecido como Robertão, teria sido o mandante por ser um dos donos da droga apreendida. No dia 11 de junho houve a quinta prisão. Rogério Cardoso Lucas, encarregado de ocultar o carro usado no crime, foi localizado e preso em Uberaba. Ele foi solto no dia 18.
Rodrigo Cardoso Fric, o Gauchinho, executor do crime, foi preso na terça-feira (19), em Gravataí, Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com o apoio de policiais civis da cidade. Ele disse aos policiais que teria recebido R$ 7 mil para matar Clestina e que matou os outros dois para não ser reconhecido.
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Texto: Pedro Popó (Uberlândia)



