Suicídio, acidente ou homicídio foram as primeiras linhas de investigação consideradas sobre a morte da jovem Natália Aparecida Correa, ocorrida dia 08 de fevereiro de 2014, no bairro Santa Mônica. Após cuidadoso trabalho investigativo, a Polícia Civil de Minas Gerais conclui pelo indiciamento do namorado da vítima, o sargento da Polícia Militar Renato dos Reis.
Em virtude desse crime, ele irá responder por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e já foi denunciado pelo Ministério Público. A Polícia Civil também representou pelo afastamento do militar de sua função, assim como pela suspensão do porte de arma e recolhimento de sua carteira funcional.
Levantamentos indicam que na noite do dia 07 de fevereiro de 2014, Renato foi até a casa da namorada, onde teriam iniciado uma discussão, aparentemente motivada por ciúmes, assim como pelo fato de o investigado não aceitar o fim do namoro. Logo em seguida, os dois seguiram até a casa de Renato, local em que foi consumado o crime. Natália foi morta com um tiro na cabeça.
Testemunhas relataram à polícia que o relacionamento entre o casal era bastante conturbado, sobretudo pelo ciúme excessivo de Renato e pelo relacionamento que a vítima mantinha com outro homem.
Divulgação PCMG

Vítima
Perícia, necropsia e contradições
Em um primeiro momento, o sargento alegou que a namorada havia atirado, acidentalmente, contra a própria cabeça. Ele ainda contou à polícia que tentou socorrer a vítima conduzindo-a ao hospital, mas ela não resistiu ao ferimento provocado pelo disparo.
O relato causou estranhamento à equipe policial, visto que o projétil transfixou a região posterior da cabeça da vítima, sendo o disparo realizado na direção de baixo para cima. Por meio de perícia técnica, ficou comprovado que a posição da vítima no momento do disparo, descrita pelo suspeito, era incompatível com o orifício de entrada encontrado no corpo de Natália.
Ainda segundo declarações prestadas à polícia, o suspeito afirma ter socorrido a vítima com vida. No entanto, segundo exame de necropsia, a morte de Natália foi imediata.
A ausência de sangue nas roupas do investigado também chamou a atenção da polícia, uma vez que, de acordo com declarações do investigado, ele mesmo teria socorrido Natália, colocando-a em seu colo e conduzindo-a até o seu veículo. Por meio da perícia, constatou-se a presença de sangue em vários pontos do trajeto da casa até a garagem. “Tal incoerência confere indícios de que o investigado, mesmo já ciente do óbito da vítima, quis retirá-la do local, o que inevitavelmente comprometeria a perícia técnica em seu exame de perinecroscopia”, salientou a delegada que coordenou as investigações, Indiara Froes.
Conforme laudo de necropsia, a hipótese de suicídio fica enfraquecida em razão de alguns detalhes, como o espasmo cadavérico - observado em casos de auto extermínio - no qual a vítima mantém a posição em que estava no momento da morte, o que não foi constado em exames realizados no corpo de Natália. Foram encontradas também lesões na mão direita da vítima, o que a polícia acredita ser resultante de tentativa de defesa.
O chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Luiz Flávio Cortat, “mais uma vez ressalta os avanços tecnológicos obtidos pela Polícia Civil nos últimos anos, aliados ao que temos de mais valioso na instituição: nossos valores humanos. Por meio desses recursos, somos capazes de perceber simulações e incongruências como os que resultaram no indiciamento do sargento”, avalia.
Acompanhe o facebook da Polícia Civil
Assessoria de Comunicação – PCMG
(31) 3915-7182 - (31) 3915-7192
imprensa.pcmg@gmail.com



