De acordo com a equipe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o homem foi até o apartamento da namorada a fim de retirar objetos possivelmente relacionados ao crime. Ele estava acompanhado por um amigo, um chaveiro e um motorista de caminhão, contratado para fazer o transporte dos objetos (especialmente a cama e o colchão da vítima). Após denúncia de que o suspeito estaria no imóvel, a PCMG, com apoio da Polícia Militar, foi até o local e prendeu o investigado.
A chefe do DHPP, Letícia Gamboge, ressalta a importância da rápida atuação dos policiais da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), unidade responsável pelo inquérito policial, tendo em vista as evidências de que o suspeito pretendia ir embora de Belo Horizonte. “No seu veículo foram encontradas duas malas com roupas e ele próprio declarou que intencionava ir para São Paulo”, relata a delegada.
Investigações apontam que a vítima foi morta por estrangulamento, na noite do dia 13 de fevereiro deste ano, dentro do apartamento em que a jovem morava, localizado
no bairro Jardim Industrial, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A PCMG representou pela conversão da prisão do suspeito em preventiva, pelo crime de feminicídio.
Desaparecimento
A chefe da DRPD, Bianca Landau, conta que as apurações iniciaram após a mãe da jovem registrar o desaparecimento da filha na Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), unidade responsável pelo inquérito policial, no dia 15 de fevereiro. Durante relato, a mulher apresentou plena convicção de que algo teria acontecido à filha, apontando ainda o namorado da jovem como principal suspeito pelo desaparecimento. Nesse dia, o investigado acompanhou à mãe da vítima até a delegacia e afirmou não saber o que teria acontecido à namorada.
Segundo relatos, a jovem foi vista pela última vez na feira do Palmital, em Santa Luzia, onde trabalhava com a mãe. Por meio da análise de imagens de circuitos de segurança, a PCMG constatou que a vítima, após o trabalho, teria ido para casa, no município de Contagem. “A última informação que nós tivemos da vítima foi uma mensagem de Whatsapp. Ela tinha combinado de ir a uma festa com uma amiga e, por volta das 22h horas, ela encaminhou essa mensagem desmarcando, falando que teria acontecido um problema e que ela estava indo para a delegacia”, conta Bianca.
A polícia investiga o que pode ter acontecido momentos antes do crime, que levou a jovem a cogitar procurar ajuda policial.
Investigações
O delegado Alexandre Oliveira, que coordena as investigações, conta que no dia em que a mãe da vítima e o suspeito foram até a delegacia para registrar o desaparecimento da jovem, o engenheiro contou aos policiais que devia a um agiota e estava sendo ameaçado, motivo pelo qual a namorada poderia ter sido sequestrada. “No entanto, ele tinha algumas marcas no antebraço e no braço, também estava muito nervoso”, aponta Alexandre.
Com base em investigações, a PCMG constatou que a última pessoa que esteve com a vítima teria sido o suspeito. Por meio de imagens de câmeras de segurança, foi possível apurar que ele deixou o apartamento da jovem por volta das 3h da madrugada, contradizendo a versão dada por ele, que alegou ter saído do local às 23h.
Investigações apontam ainda que antes de ser estrangulada, a jovem possivelmente foi agredida, deixando vestígios de sangue no colchão. Por esse motivo, o investigado teria voltado ao apartamento, na tentativa de retirar o objetivo do local. O colchão foi encontrado com parte da espuma retirada, porém, peritos da PCMG encontraram vestígios de sangue nas bordas do local onde foi retirado a espuma.
Uma das linhas de investigação aponta que a motivação para o crime pode estar relacionada a atritos entre o casal em virtude de dívidas do suspeito com um agiota. “Ela pagou umas dívidas anteriores, ele queria mais dinheiro para continuar pagando o agiota e ela [vítima] se cansou desse fato”, pontua o delegado.
As investigações prosseguem.



