A atuação do Canil da Polícia Civil de Minas

Por ASCOM-PCMG 31/10/2012 15h20

Atualmente são quinze cães dos quais seis estão treinados na localização de entorpecentes


Cartaz do Canil
   

Com o lema “Um olfato, nossos olhos”, o Canil Central da Polícia Civil atua desde 1992 em apoio a operações policiais para a localização de entorpecentes. Inicialmente, o Canil era integrado com a Divisão de Tóxicos e Entorpecentes, mas por receber várias demandas de outras delegacias, foi desvinculado e atualmente atende solicitações de todas as unidades da Polícia Civil de Minas.

A primeira equipe foi formada por investigadores que se prontificaram a trabalhar com cães, entre eles o atual coordenador do canil, Alexandre Andrade, que doou os primeiros cães, dois filhotes de Pastor Belga Malinois, para treinamento.

Desde o início, essa equipe manteve uma relação próxima com o agente responsável pelo Canil da Polícia Federal em Belo Horizonte, visto que alguns agentes federais foram enviados à Inglaterra para aprender a trabalhar com cães de faro e haviam trazido alguns desses animais treinados. Os investigadores também buscaram conhecimento em cursos, seminários particulares e leitura de livros específicos sobre treinamento de cães de trabalho policial. O atual coordenador do Canil se empenhou nessa especialização e em 1998 obteve Certificado de Estágio de Formação de Cães Farejadores, realizado pelo Canil Central da Policia Federal, e treina atualmente policiais que entram para a equipe.


Cães

Atualmente o Canil conta com quinze cães, dos quais seis estão aptos para o trabalho, dois são mantidos como matriz e os outros estão em treinamento. Todos os cães que trabalharam no Canil ou estão sendo treinados na Polícia Civil, foram adquiridos por meio de doação de policiais ou de terceiros. Não há preferência entre machos ou fêmeas para o treinamento.

A equipe do Canil Central é formada por sete policiais civis. De acordo com o investigador e adestrador de cães, Charlie Arthury, um policial pode ter mais de um cão, mas um cão pode ter apenas um dono. “O vínculo entre o cão e o policial é muito importante, pois em uma operação, a interação entre ambos e a ligação entre o dono e o cão, garantem a concentração e o bom desempenho do animal.”

A raça predominante no Canil da Polícia Civil é o Pastor Belga Malinois, uma raça original da Europa e usada pela polícia e exército de vários países. O Canil conta também com pastores alemães e labradores. Essas raças são escolhidas por serem cães de faro apurado que possuem habilidade técnica em instinto de caça, além do porte físico grande e atlético, ideal para as operações policiais.

                                                                                                                  Talita Lane

Cão Dody e o investigador Charlie Arthury


Treinamento

O treinamento começa quando o filhote completa sessenta dias e consiste em brincadeiras comuns a cães, com brinquedos como bolinhas e cordas. Inicia-se então a interação entre o policial e o animal, a exercitação física diária e posteriormente os comandos de obediência.

No treinamento de obediência, o cão aprende os comandos como aguardar, sentar e deitar. É também um treinamento de concentração, para que o cão não fique disperso em um ambiente diferente com muitas pessoas durante uma ação policial. “Não exigimos do cão mais do que os comandos simples necessários para um bom desempenho no local do trabalho. Prezamos que o cão tenha mais liberdade”, comenta Alexandre Soares, investigador integrante do Canil.

 
Brinquedos comuns e com drogas (Tubos de PVC)               Investigador Frederico Esteves executando o treinamento de obediência
 

Alguns meses após o início do treinamento, os policiais começam o exercício para localizar drogas. Um novo brinquedo, um tubo de PVC lacrado com entorpecentes no interior, é inserido no cotidiano do cão. O animal não tem contato direto com a droga, apenas sente o odor. Quando o brinquedo é escondido, o cão o encontra pelo cheiro da droga. De acordo com o policial da equipe do Canil, Frederico Esteves, “quando em uma operação, o cão procura drogas, ele está, na verdade, procurando seu brinquedo.” Ao encontrar o entorpecente, o cão faz um sinal arranhando e mordendo o local. O investigador responsável pelo cão deve recompensá-lo com um brinquedo e afastá-lo do lugar para que outros policiais recolham a droga encontrada.

Após o início do treinamento, o cão é avaliado por um período de seis meses a um ano. No entanto, nem todos os cães apresentam o perfil necessário para prosseguir com o treino.

 
Cão fazendo buscas em um veículo                                                                                   Treinamento físico


Os cães se exercitam todos os dias e além do treinamento habitual, é comum os policiais levarem os cães para nadar e caminhar, o que contribui para manter um bom condicionamento físico e mental do animal.

O Canil conta com um veterinário à disposição e tratamento quando necessário. Nenhum animal recebe medicamentos ou vitaminas para o desempenho das atividades.  Além de uma ração balanceada e vacinas em dia, cada cão possui uma coleira de proteção contra a leishmaniose.

Operações

Os cães são treinados para encontrarem drogas como maconha, cocaína, crack e derivados e são solicitados em operações onde existe maior dificuldade para os policiais encontrarem os entorpecentes. Os cães já encontraram substância entorpecente enterrada, dentro de paredes, televisão e forro de porta, além de localizarem drogas escondidas dentro de um saco com café, que usaram para tentar camuflar o odor. Já encontraram também armas e dinheiro escondidos, por terem sido manuseados por alguém que mexia com drogas.

Em uma operação realizada na zona rural de Nova Serrana, quatro cães foram levados para vistoriar uma área de três quilômetros quadrados. Após exaustivas buscas, um dos cães desenterrou um vasilhame plástico que continha grande quantidade de cocaína, munições e arma de fogo.


Operação em Nova Serrana


Aposentadoria


Dody achou a droga em Nova Serrana
  Os cães são aposentados ao atingirem os sete anos de idade, ou quando sofrem algum trauma que o impossibilite de prosseguir com os trabalhos. Os aposentados, assim como os que não possuem perfil para prosseguir com o treinamento, são mantidos pelo Estado e isentos de qualquer prestação de serviço ou atividade até o fim de sua vida. Os animais também podem ser doados, priorizando o policial responsável pelo cão durante seu tempo no Canil, e entre a equipe, o pensamento é unânime: “Depois de passar sete anos com o cão, não conseguimos entregá-lo a outra pessoa”.


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Texto: Talita Lane

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