Embora a DRPD seja uma unidade especializada em desaparecimentos, promover esses reencontros não fazem parte das suas atribuições, apesar das semelhanças entre os temas.
O desaparecimento ocorre quando há uma quebra na rotina do ausente, sem motivação aparente. Diferente dos desencontros, quando as vidas das pessoas tomam rumos distintos e elas perdem contato entre si, com motivação aparente.
A Delegada Maria Alice Faria, Chefe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, explica que ¿essa não é a atribuição da Divisão, mas fazemos esse trabalho social para auxiliar as pessoas nesses reencontros familiares. É uma satisfação e uma alegria muito grande prestarmos esse serviço¿, ressalta.
Ato de fé
Quando o padre Pier Luigi Bernareggi, pároco solidário da Paróquia de Todos os Santos, procurou a DRPD, tinha fé em encontrar a mãe biológica de Manuela Maria Michelini. Manuela tem 32 anos e vive com os pais adotivos, Lívio e Anna Michelini, na Itália.
Em junho de 2017, o padre Bernareggi visitou o casal italiano, Lívio e Anna, que viveu no Brasil nos anos de 1980/90 e aqui adotou uma criança, Manuela Michellini. Manuela, hoje casada e com filhos, manifestou ao padre o desejo de conhecer a mãe biológica, Ilma Vitorina da Silva. Ao retornar ao Brasil, o padre solicitou o apoio da Polícia Civil para promover o reencontro.
Após contato da DRPD, Ilma Vitorina, muito emocionada, aceitou o reencontro com a filha biológica, 30 anos depois. As duas, mãe e filha, já estão se falando por telefone e que Manuela virá ao Brasil em dezembro, com os filhos, para se conhecerem. "Fiquei muito emocionada com a novidade, principalmente porque já vou encontrar minha filha em dezembro. E ainda conhecer os netos. No fundo, sempre tive uma esperança de reencontrar a Manuela. A Polícia Civil me ajudou muito. Sou muito grata pelo que fizeram", vibra Ilma com a notícia do reencontro.
Saiu para trabalhar
Maria do Rozário, 61 anos, é mãe de Jordeli dos Santos, de 38 anos, e não o via desde 1997. Ele saíra de casa, em Conceição do Mato Dentro, para trabalhar em Lagoa Santa, e nunca mais fez contato.
A equipe policial da DRPD conseguiu contato com Jordeli, em Itapevi, Estado de São Paulo, por carta. Ele, prontamente, procurou a mãe. Ela, feliz e aliviada, agradeceu o empenho da Polícia Civil em proporcionar notícias do filho após 23 anos.
¿Na hora que recebi a carta da Polícia Civil tomei um susto, mas imediatamente entrei em contato com minha mãe e minhas tias. Agora nos falamos todos os dias e já combinamos de encontrar, assim que tiver uma folguinha no trabalho. Agradeço de coração à Polícia Civil. Vai ser muito bom rever minha mãezinha depois de 23 anos¿, conta Jordeli.
Irmãos reencontram a mãe
Dicileia Mendes Martins, 33 anos, procurava pela mãe, Dailza Mendes Fonseca, de 53 anos. Dailza saíra de casa quando a filha tinha três anos, deixando, com o pai, a filha Dicileia e o filho recém-nascido, Edivânio Mendes Martins, hoje com 31 anos.
A DRPD apurou as informações sobre o paradeiro de Dailza e a encontrou vivendo em Campinas, São Paulo. Em março, após 30 anos, Dicileia, o irmão Edivânio e a mãe Dailza se reencontraram. ¿A Polícia Civil mudou minha vida. Passei 30 anos sem conhecer o rosto da minha mãe. Não tenho nem palavras. Isso é muito importante para minha família¿, comentou Dicileia emocionada.



